Joan Margarit – Despedidas

Ela o acompanhava até o primeiro trem
que partia às segundas antes do amanhecer,
e naquele bar costumavam despedir-se,
o mais próximo da Estación de Francia.

Evoco os invernos detidos
atrás das vidraças da infância.
E talvez esta seja sua mesa, onde agora
lembro-me de que, naquela mesma hora,
eu estava na penumbra do meu quarto.

Não é grande coisa, embora se trate da minha vida:
quando ela regressava,
e enquanto ia abrindo as janelas,
eu fingia dormir, encolhendo-me.
Ainda posso sentir o frio do seu casaco
e o sol de uma jovem mãe, mais hirto a cada dia,
que brilhava nas vidraças embaçadas.

Trad.: Nelson Santander

Despedidas

Ella le acompañaba al primer tren
que los lunes salía antes del alba,
y en este bar solían despedirse,
el más cercano a la Estación de Francia.

Evoco los inviernos detenidos
detrás de los cristales de la infancia.
Y quizá ésta es su mesa, donde ahora
recuerdo cómo, a aquella misma hora,
yo estaba en la penumbra de mi cuarto.

No es gran cosa, aunque trata de mi vida:
cuando ella regresaba,
y mientras iba abriendo las ventanas,
simulaba dormir, acurrucándome.
Puedo sentir aún el frío de su abrigo
y un sol de madre joven, más yerto cada día,
que brilla en los cristales empañados.

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